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Produtos Químicos – Embalagens Pequenas e Intermediários

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Rotulagem de produtos químicos pequenos e intermediários

Hoje, vamos abordar um tema que gera muitas dúvidas, principalmente após as mudanças na norma, mas que é crucial para a segurança de todos (e meio ambiente também): Produtos Químicos – Embalagens Pequenas e Intermediários, segundo a recém-atualizada norma ABNT NBR 14725:2023.

Se você já se deparou com um frasco minúsculo no laboratório ou na indústria e se perguntou “Como colocar um rótulo GHS completo aqui?”, vamos descomplicar as seções 6.7 a 6.10 da norma.

O Dilema do Espaço: Rotulando Embalagens Pequenas

A ABNT, em juntamente com o GHS (Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos), consolidou o entendimento de que nem sempre temos uma embalagem de 20 litros para trabalhar. Muitas vezes, lidamos com frascos de amostras, reagentes ou produtos especiais que mal cabem na palma da mão.

Para a norma, uma “embalagem pequena” é aquela com capacidade volumétrica de até 250 mL. O princípio fundamental é claro: a segurança não pode ser comprometida pelo tamanho do frasco. Todas as informações de perigo devem, de alguma forma, chegar ao usuário final.

Mas como fazer isso quando o espaço é o nosso maior inimigo? A NBR 14725:2023 nos oferece uma gama de ferramentas para abordar esse desafio.

As Informações Mínimas Indispensáveis

Antes de explorarmos as alternativas, vamos ao que é inegociável. Independentemente do método escolhido para apresentar o rótulo completo, a embalagem que contém o produto (a embalagem primária) deve ter, no mínimo, as seguintes informações afixadas diretamente nela:

  • Identificação do produto: O nome comercial ou químico que permite saber exatamente o que há ali dentro.
  • Nome e telefone de emergência do fornecedor: A quem ligar se algo der errado. É a sua linha direta para a segurança.

Esses dois elementos são a “identidade de emergência” do produto. Se todas as outras informações estiverem em um folheto, por exemplo, o frasco em si precisa ter essa identificação mínima. Além disso, ele deve indicar onde encontrar o restante das informações, com uma frase simples como: “Ver bula para informações de segurança” ou “Consulte o folheto de instruções anexo”.

Soluções Criativas para Rótulos Completos

Quando o rótulo completo do GHS (com pictogramas, palavras de advertência, frases de perigo, etc.) não cabe no frasco de 250 mL ou menos, a norma permite que as informações sejam fornecidas por outros meios, desde que acompanhem o produto.

Pense nisso como um “menu de opções de rotulagem”:

  • Rótulos dobráveis ou sanfonados: Como um pequeno mapa, esse rótulo se desdobra para revelar todas as informações de segurança.
  • Etiquetas amarradas ou penduradas (Tags): Muito comuns em amostras de laboratório ou pequenos frascos, uma etiqueta pendurada resolve o problema do espaço.
  • Bula ou folheto de instrução: Semelhante aos medicamentos, um folheto que acompanha o produto pode conter todos os detalhes do GHS.
  • Embalagem secundária (intermediária): Se o seu frasco de 50 mL vem dentro de uma caixinha, essa caixa pode (e deve) conter o rótulo completo.
  • Cartela ou blíster: O suporte de papelão que segura a embalagem plástica é o local perfeito para imprimir as informações de segurança.
Produtos Químicos: Rotulagem de Pequenos e Intermediários
Exemplo de rótulo sanfonado para produtos químicos

Exemplo prático: Imagine que sua empresa vende um catalisador químico muito específico em frascos de 100 mL. O rótulo completo, com 3 pictogramas e várias frases de perigo, simplesmente não cabe.

Solução ABNT: No frasco de 100 mL, você imprime:

  • Nome do Produto: Catalisador XPTO-5000
  • Fornecedor: Química Segura Ltda. – Tel. Emergência: 0800-123-4567
  • Aviso: “Leia a bula para informações completas de segurança.”

Junto com o frasco, dentro da caixa de envio, você inclui uma bula detalhada com todos os elementos do GHS: pictogramas, frases H e P, e demais informações exigidas. Problema resolvido de forma segura e conforme a norma!

E Dentro da Empresa? A Comunicação de Perigo nos Locais de Trabalho

Agora, vamos mudar o cenário. E quando o produto químico não vai ser vendido? E se for uma amostra que acabou de ser retirada do reator para análise no laboratório interno? A NBR 14725:2023 também tem uma seção específica para isso: a comunicação de perigo nos locais de trabalho (seção 6.8).

Essa parte da norma se aplica a produtos que não se destinam à venda e também à rotulagem de embalagens pequenas para uso interno. A lógica aqui é a eficácia da comunicação. O objetivo é garantir que o trabalhador que irá manusear o produto tenha acesso à informação de perigo de forma tão ou mais eficiente que um rótulo tradicional.

Em muitos processos industriais ou de laboratório, rotular cada recipiente individualmente é simplesmente impraticável. Pense em:

  • Produtos fracionados para uso imediato na bancada.
  • Amostras para análise que serão consumidas em minutos.
  • Tubulações, reatores e tanques de processo.
  • Produtos intermediários que são parte de uma longa cadeia de produção.

Nesses casos, a norma permite meios alternativos de comunicação, desde que padronizados e que os trabalhadores sejam devidamente treinados para compreendê-los. (Perceba que: não é rotulagem opcional, como tenho ouvido por aí. Isso se aplica quando não for praticável, quando for inviável, rotular da maneira tradicional e nessas situações deve-se substituir a rotulagem por comunicação de eficácia igual ou superior à maneira antiga. Ou seja: não fazer nada não é uma opção).

Exemplos de Comunicação Alternativa no Local de Trabalho:

  • Sinalização e Cores: Placas, murais ou telas de computador na área de trabalho exibindo as informações do GHS para os produtos manuseados ali. Tubulações podem ser identificadas por cores ou placas fixas perto das válvulas de amostragem.
  • Documentos de Processo: As informações de perigo podem estar contidas em ordens de processo, fluxogramas ou procedimentos operacionais que o trabalhador consulta para realizar sua tarefa.
  • Sistemas de Codificação: A empresa pode criar um sistema interno de códigos (numéricos, alfanuméricos) que remetem a um banco de dados onde a informação completa do GHS pode ser consultada rapidamente.

Exemplo prático: Em um laboratório de P&D, um químico sintetiza um novo composto e o armazena temporariamente em um balão de vidro para testes. Rotular o balão com um rótulo GHS completo é inviável.

Solução ABNT: O laboratório possui um procedimento operacional padrão (POP). O químico anota o código do experimento no balão (ex: “EXP-2025-A7”) e registra esse código em seu caderno de laboratório (físico ou eletrônico), onde descreve o composto e anexa a FDS (Ficha de Dados de Segurança) provisória com toda a classificação de perigo GHS. Todos os químicos do laboratório foram treinados para seguir este procedimento. A comunicação de perigo é garantida.

Conclusão: Flexibilidade com Responsabilidade

A atualização da ABNT NBR 14725:2023 demonstra uma grande maturidade ao reconhecer os desafios práticos da rotulagem, especialmente em embalagens pequenas e ambientes de trabalho dinâmicos. A norma nos dá flexibilidade, mas exige em troca responsabilidade, padronização e treinamento.

O objetivo final é sempre o mesmo: garantir que cada pessoa que interaja com um produto químico, seja ele um cliente final ou um colega de trabalho, tenha o conhecimento necessário para se proteger.

Espero que este artigo auxilie as organizações a comunicar de maneira mais eficaz seus perigos e riscos e torne-as menos sujeitas à infrações identificadas em inspeções.

 

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Rogério A. F. Duarte – jul/25

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